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Resultado não se controla. Execução, sim.

João Sene
Aug 21, 2025

Introdução

Um dos maiores dilemas na gestão de serviços é a distância entre o que foi planejado e o que realmente acontece na prática. Quem já fechou um projeto com margem abaixo do esperado, prazos estourados ou custos acima do orçado sabe bem a sensação de frustração e muitas vezes a impressão de que “se tivéssemos feito diferente, isso não teria acontecido”.

E a verdade é que não dá para controlar resultados.

Resultado é consequência.

O que é possível controlar e que faz toda a diferença é a execução.

O problema de focar só no resultado

Muitos gestores têm acesso a relatórios completos apenas no final do ciclo: margem de lucro, custos totais, horas trabalhadas, receitas faturadas. O problema é que, nesse ponto, não há mais tempo para agir. O resultado já aconteceu, e o que resta é analisar o que deu errado.

Esse olhar apenas retroativo impede qualquer ajuste de rota durante o caminho. É como dirigir olhando só pelo retrovisor: você até enxerga o que aconteceu, mas não consegue evitar os obstáculos à frente.

Por que a execução é o ponto central

É no dia a dia que os resultados futuros são moldados:

  • Quando um consultor registra corretamente (ou não) as horas de trabalho.
  • Quando uma despesa é aprovada no tempo certo (ou esquecida no meio do caminho).
  • Quando os recursos são alocados de forma equilibrada (ou acabam sobrecarregados).

Essas pequenas ações cotidianas acumulam impacto direto na entrega final. Se não há acompanhamento contínuo e integrado, o planejamento se torna apenas um exercício teórico.

Exemplos práticos de impacto

Para entender a importância do acompanhamento da execução, veja alguns cenários comuns:

  • Horas não registradas: em um projeto de 1.000 horas previstas, basta que 5% não sejam registradas para comprometer 50 horas de custo real. Isso pode reduzir a margem em 8 a 10%, dependendo da taxa de cobrança.
  • Aprovações atrasadas: quando uma despesa crítica fica parada esperando aprovação, a equipe pode atrasar entregas e gerar horas extras não previstas.
  • Sobrecarga de equipe: sem uma visão clara da alocação, é comum um profissional ser designado para dois projetos simultaneamente. O impacto é duplo: queda de produtividade e aumento da chance de retrabalho.
  • Falta de visibilidade em riscos: sem monitoramento, riscos não são tratados a tempo. Um atraso de apenas uma semana em uma entrega crítica pode comprometer todo o cronograma e gerar multas contratuais.

O papel do acompanhamento contínuo

A chave está em criar uma cultura e processos de monitoramento da execução. Isso significa acompanhar de perto indicadores de esforço, custos e prazos durante a realização do projeto, e não apenas depois que ele termina.

Um acompanhamento robusto e detalhado permite:

  • Agir preventivamente, corrigindo desvios antes que eles se tornem problemas.
  • Dar visibilidade para toda a equipe, facilitando alinhamentos.
  • Manter o planejamento vivo, ajustando-o conforme a realidade evolui.

Conclusão

Resultados são importantes, mas eles não estão sob controle direto de gestores. O que pode ser controlado é a execução e é justamente nela que se deve concentrar a atenção.

Projetos bem-sucedidos não são fruto de sorte ou de relatórios no fim do mês, mas de uma gestão que acompanha, analisa e ajusta cada etapa do caminho.

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João Sene
Equipe PSOffice