Resultado não se controla. Execução, sim.

Introdução
Um dos maiores dilemas na gestão de serviços é a distância entre o que foi planejado e o que realmente acontece na prática. Quem já fechou um projeto com margem abaixo do esperado, prazos estourados ou custos acima do orçado sabe bem a sensação de frustração e muitas vezes a impressão de que “se tivéssemos feito diferente, isso não teria acontecido”.
E a verdade é que não dá para controlar resultados.
Resultado é consequência.
O que é possível controlar e que faz toda a diferença é a execução.
O problema de focar só no resultado
Muitos gestores têm acesso a relatórios completos apenas no final do ciclo: margem de lucro, custos totais, horas trabalhadas, receitas faturadas. O problema é que, nesse ponto, não há mais tempo para agir. O resultado já aconteceu, e o que resta é analisar o que deu errado.
Esse olhar apenas retroativo impede qualquer ajuste de rota durante o caminho. É como dirigir olhando só pelo retrovisor: você até enxerga o que aconteceu, mas não consegue evitar os obstáculos à frente.
Por que a execução é o ponto central
É no dia a dia que os resultados futuros são moldados:
- Quando um consultor registra corretamente (ou não) as horas de trabalho.
- Quando uma despesa é aprovada no tempo certo (ou esquecida no meio do caminho).
- Quando os recursos são alocados de forma equilibrada (ou acabam sobrecarregados).
Essas pequenas ações cotidianas acumulam impacto direto na entrega final. Se não há acompanhamento contínuo e integrado, o planejamento se torna apenas um exercício teórico.
Exemplos práticos de impacto
Para entender a importância do acompanhamento da execução, veja alguns cenários comuns:
- Horas não registradas: em um projeto de 1.000 horas previstas, basta que 5% não sejam registradas para comprometer 50 horas de custo real. Isso pode reduzir a margem em 8 a 10%, dependendo da taxa de cobrança.
- Aprovações atrasadas: quando uma despesa crítica fica parada esperando aprovação, a equipe pode atrasar entregas e gerar horas extras não previstas.
- Sobrecarga de equipe: sem uma visão clara da alocação, é comum um profissional ser designado para dois projetos simultaneamente. O impacto é duplo: queda de produtividade e aumento da chance de retrabalho.
- Falta de visibilidade em riscos: sem monitoramento, riscos não são tratados a tempo. Um atraso de apenas uma semana em uma entrega crítica pode comprometer todo o cronograma e gerar multas contratuais.
O papel do acompanhamento contínuo
A chave está em criar uma cultura e processos de monitoramento da execução. Isso significa acompanhar de perto indicadores de esforço, custos e prazos durante a realização do projeto, e não apenas depois que ele termina.
Um acompanhamento robusto e detalhado permite:
- Agir preventivamente, corrigindo desvios antes que eles se tornem problemas.
- Dar visibilidade para toda a equipe, facilitando alinhamentos.
- Manter o planejamento vivo, ajustando-o conforme a realidade evolui.
Conclusão
Resultados são importantes, mas eles não estão sob controle direto de gestores. O que pode ser controlado é a execução e é justamente nela que se deve concentrar a atenção.
Projetos bem-sucedidos não são fruto de sorte ou de relatórios no fim do mês, mas de uma gestão que acompanha, analisa e ajusta cada etapa do caminho.